Goianésia- O uso de herbicidas nas lavouras de soja aumentou mais de 2.200% nas últimas três décadas, segundo levantamento da Embrapa Soja. O avanço está diretamente relacionado à modernização do campo e à expansão das áreas agrícolas no país. Atualmente, o controle de plantas daninhas é considerado essencial para evitar perdas de produtividade, já que a presença excessiva de mato pode reduzir em até 40% o rendimento das lavouras.
A engenheira agrônoma Jaqueline Vieira explica que o crescimento no uso desses produtos está ligado a práticas mais intensivas de manejo do solo. “O estudo mostra que o plantio direto, uma prática de conservação já amplamente adotada pelos sojicultores , quando implementado isoladamente, sem o uso combinado de outras estratégias de regeneração do solo, tem exigido volumes cada vez maiores de herbicidas. Isso impacta a saúde do solo, a resiliência do sistema produtivo e a rentabilidade do produtor, que vê seus custos aumentarem com os insumos”, afirma.
“É fundamental avançar para sistemas que integrem diferentes práticas de conservação e regeneração do solo”, acrescenta.
Pesquisas indicam que, paralelamente ao avanço da tecnologia agrícola, os herbicidas se tornaram mais seguros, eficazes e acessíveis, o que facilitou sua adoção por produtores de diferentes portes. O desenvolvimento de cultivares resistentes e o uso de maquinários de precisão também contribuíram para reduzir desperdícios e tornar o processo mais sustentável.
De acordo com a engenharia agrônoma, o desafio está em equilibrar produtividade e conservação. “Com planejamento e orientação técnica, é possível controlar as plantas invasoras sem comprometer o equilíbrio do solo. Em visitas a produtores do Paraná, Goiás e Mato Grosso, constatamos que 100% dos agricultores convencionais afirmam adotar o plantio direto. No entanto, apenas uma pequena parcela realiza práticas complementares, como rotação de culturas, diversidade de raízes ou adubação verde”, relata.




