Goianésia - O uso irregular de canetas para emagrecimento tem preocupado médicos em todo o país. A popularização de substâncias como a tirzepatida, originalmente indicada para o tratamento de diabetes, tem levado muitas pessoas a utilizar o medicamento sem prescrição, aumentando os riscos à saúde por falta de acompanhamento profissional adequado.
A goianesiense Laís Abreu relatou uma experiência grave após aplicar, sem orientação médica, uma dose muito superior à recomendada. “Eu já tinha feito uso com acompanhamento e emagreci quase 15 quilos. Depois, quis retomar por conta própria e acabei aplicando uma dose cinco vezes maior do que a indicada. Passei muito mal, acordei vomitando, foi assustador”, contou.
Casos como o de Laís não são isolados. A endocrinologista Ana Luíza Silva explica que, embora os efeitos de emagrecimento tenham sido observados em alguns pacientes, as canetas não foram desenvolvidas para fins estéticos e seu uso deve ser sempre orientado por um especialista. “Esses medicamentos simulam hormônios que aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento do estômago. São eficazes, mas também apresentam contraindicações importantes, como para pessoas com histórico de pancreatite ou certos tipos de câncer da tireoide”, alerta a médica.
Segundo a endocrinologista, o risco de superdosagem e os efeitos colaterais associados são preocupações constantes. “O acompanhamento médico é fundamental para ajustar a dose, avaliar o histórico de saúde e observar possíveis reações adversas. A automedicação com substâncias potentes como essas pode causar desidratação, vômitos intensos, queda de pressão e outros efeitos sistêmicos”, reforça.
Outro ponto de atenção é a procedência dos medicamentos. A busca por versões manipuladas ou importadas de forma irregular compromete a segurança do paciente. Muitas vezes, não há garantia sobre a composição da substância nem controle de qualidade na produção.
Com meia-vida longa, essas substâncias permanecem no organismo por períodos prolongados, o que dificulta reverter rapidamente os efeitos em casos de uso indevido. Por isso, especialistas recomendam que qualquer tratamento com finalidade de emagrecimento seja feito sob orientação médica, com exames prévios, avaliação de riscos e monitoramento contínuo.
O apelo por resultados rápidos e a pressão estética não podem se sobrepor à saúde e à segurança dos pacientes. O alerta é claro: automedicação, especialmente com substâncias injetáveis, pode trazer consequências sérias e até irreversíveis.




