Goianésia- Estamos em uma semana dedicada a homenagens ao Dia do Professor, mas, paradoxalmente, a profissão enfrenta um desafio silencioso e preocupante: a queda na procura pelo curso de Pedagogia entre os jovens que ingressam no ensino superior. A carreira de quem forma gerações e ajuda a construir o futuro parece estar perdendo espaço no universo acadêmico.
A professora Lucélia Costa, que atua na formação de educadores, destaca que o cenário para o futuro dos professores é incerto e alarmante.
“Fico muito triste com essa notícia, principalmente porque eu acreditava que, quando me aposentasse, os jovens estariam prontos para nos substituir nas salas de aula. Porém, o desinteresse tem muito a ver com a questão financeira. Ser professor hoje não é uma profissão de desejo para os jovens, especialmente por conta da questão salarial. A licenciatura exige quatro anos de dedicação, semelhante a outros cursos de bacharelado, mas, quando chegam ao mercado de trabalho, outras profissões oferecem melhores perspectivas financeiras”, afirma.
Estudos acadêmicos confirmam essa tendência preocupante. Uma pesquisa da Universidade Federal de Jataí (UFJ) revelou que o curso de Pedagogia apresenta índices altos de vagas não preenchidas: 45% no turno matutino e 15% no noturno. Além disso, um levantamento geral sobre licenciaturas mostra que muitos estudantes abandonam o curso antes de concluir, com índices de evasão que chegam a 60% na rede privada e 40% na pública.
Para Lucélia, a valorização da carreira é essencial para reverter esse quadro. “Só haverá médicos, advogados, engenheiros e outras profissões se existirem bons professores. Como educadora, tanto na educação básica quanto no ensino superior, sei que é fundamental investir na valorização e no incentivo para que os jovens se interessem pelo curso de licenciatura. Ainda podemos reverter essa situação com políticas públicas voltadas à valorização do magistério”, defende.
Em Goiás, especialmente em municípios como Goianésia, essa realidade pode se agravar caso não sejam adotadas políticas eficazes de incentivo à carreira docente. A valorização da profissão, por meio de melhores condições de trabalho, reconhecimento e perspectivas reais de crescimento, é urgente. Caso contrário, o país poderá enfrentar um verdadeiro apagão de professores nas próximas décadas, um cenário desastroso para a educação pública e para o desenvolvimento social e econômico do Brasil.




