Medidas simples e políticas públicas urgentes são essenciais para proteger a saúde

Goianésia- O calor mais intenso que o habitual é um dos sinais visíveis da crise climática, que não afeta apenas o meio ambiente, mas também a vida e a saúde das crianças e adolescentes. Esse grupo é especialmente vulnerável aos impactos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes, poluição do ar e falta de acesso a recursos essenciais, que colocam em risco sua integridade física, emocional e social.

A médica pediatra Cássia Lopes ressalta que essa exposição aumenta significativamente o risco de diversas doenças, principalmente entre os grupos mais vulneráveis. “Entre os problemas mais comuns estão a desidratação, a exaustão pelo calor, distúrbios renais e eletrolíticos, além do agravamento de condições pré-existentes como asma e doenças cardíacas. Durante períodos de chuvas intensas e enchentes, também observamos um aumento na incidência de doenças diarreicas agudas, leptospirose, hepatite A e infecções de pele”, explica a especialista.

Ela detalha que, segundo dados do UNICEF, em regiões afetadas por temperaturas extremas, as hospitalizações de crianças menores de cinco anos por causas respiratórias e desidratação podem aumentar em até 20%.

Um estudo recente do UNICEF aponta que mais de 40 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, cerca de 60% dessa população, estão expostos a múltiplos riscos climáticos, como poluição do ar, escassez de água e enchentes. Para ajudar a minimizar esses impactos, a pediatra Cássia Lopes compartilha orientações importantes para os cuidados durante períodos críticos.

“Durante ondas de calor, é fundamental promover ambientes ventilados e sombreados, evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre 10h e 16h, e oferecer uma alimentação leve e nutritiva, priorizando frutas, verduras e refeições frescas. Em períodos de chuvas intensas e enchentes, é essencial impedir o contato das crianças com águas contaminadas e evitar que brinquem ou caminhem em áreas alagadas. A água para consumo deve ser fervida ou filtrada para garantir segurança”, recomenda.