Estado registra queda de 24,6% no número de pessoas em situação de insegurança alimentar, segundo dados da PNAD Contínua

 

Goianésia - Goiás apresentou uma redução significativa na insegurança alimentar, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A queda foi de 24,6% no número de pessoas em situação de insegurança alimentar no estado. No último trimestre, dos 2,8 milhões de domicílios permanentes, 82,1% estavam em segurança alimentar, enquanto 17,9% apresentavam algum grau de insegurança, o equivalente a 496 mil lares.

A quantidade de moradores nessa condição também caiu, passando de 1,8 milhão para 1,4 milhão, apontando uma melhora considerável no acesso à alimentação. Para a nutricionista Juliana Alves, o dado é animador e mostra que mais famílias estão conseguindo garantir uma nutrição adequada. “Quer dizer que as famílias estão tendo mais acesso regular e adequado a alimentos. Isso tem um impacto direto na saúde, no desenvolvimento das crianças, na prevenção de doenças crônicas e na qualidade de vida em geral”, afirma.

Segundo Juliana, a segurança alimentar não se resume à presença de comida em casa. “Para termos segurança alimentar, é necessário ter acesso regular a alimentos em quantidade e qualidade suficientes. Isso significa garantir refeições equilibradas que sustentem uma vida saudável”, explica. Ela acrescenta que a insegurança alimentar pode ter causas diversas. “Ela pode ocorrer por falta de recursos financeiros, dificuldade de acesso físico aos alimentos ou mesmo pela falta de conhecimento sobre como montar uma alimentação balanceada”, completa.

O desempenho de Goiás se destaca nacionalmente. O estado figura entre os cinco com menor proporção de moradores em situação de insegurança alimentar, ficando atrás apenas dos estados da Região Sul e do Espírito Santo. Em 2023, Goiás ocupava a 10ª posição no ranking nacional, com índice de 25,3%. Agora, com 17,9%, o estado avança para uma posição de referência.

“Quando o estado consegue reduzir a insegurança alimentar, estamos falando de menos pessoas passando fome e mais famílias nutridas. Isso reflete diretamente no desempenho escolar das crianças, no rendimento no trabalho, na saúde cognitiva e física da população”, ressalta a nutricionista.

Apesar de ter o maior número absoluto de pessoas em situação de insegurança alimentar no Centro-Oeste, Goiás registra o menor percentual proporcional da região, com 18,9%, abaixo da média nacional de 25,8%.

A pesquisa também revelou os diferentes níveis da insegurança alimentar. Em Goiás, 12,7% dos domicílios enfrentam insegurança leve, 2,8% moderada e 2,4% grave. Isso representa cerca de 65 mil famílias que enfrentaram privação de alimentos, com impactos diretos sobre crianças e adolescentes.