Ministério Público de Goiás cobra pelo menos R$ 5 milhões por danos morais coletivos após mais de 90 mil reclamações de consumidores

 

Goianésia - O Ministério Público de Goiás ingressou com ação civil pública contra a empresa WePink, da influenciadora Virginia Fonseca, sob acusação de violar o Código de Defesa do Consumidor. Na petição protocolada em 8 de outubro de 2025, o promotor Élvio Vicente descreveu como “drama humano coletivo” a situação enfrentada por milhares de consumidores que relatam sérios problemas pós-venda.

De acordo com o MP, ao longo de 2024 foram registradas 90.856 reclamações formais contra a marca. Os consumidores apontam repetidos casos de produtos que nunca chegaram, atendimento inexistente, reembolsos ignorados, canais de comunicação bloqueados ou sem resposta e apropriação inadequada da confiança gerada pela influência online.

Na ação, o Ministério Público exige que a WePink seja condenada a pagar indenização mínima de R$ 5 milhões por danos morais coletivos, valor este que deve ser revertido ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor. Inclui-se também responsabilização solidária de todos os réus, incluindo Virginia Fonseca. Além disso, a empresa e seus sócios devem entregar os produtos não recebidos, substituir os que apresentarem defeitos ou proceder ao reembolso, observadas penalidades judiciais caso descumpram.

Em sua defesa, a empresa alegou que realizou quase 2 milhões de vendas entre janeiro e maio de 2025, com 94% dos pedidos entregues, 3,7% em rota de entrega, e menos de 1% atrasados, cancelados ou devolvidos. Destacou ainda que atrasos se deveriam a fatores como alta demanda, logística, transportadoras ou falhas no cadastro de endereços pelos clientes.

A WePink afirma que cerca de 85% das compras online foram entregues dentro do prazo. Entretanto, o MP contesta tais alegações diante do volume de casos apontados, muitos dos quais ultrapassam prazos de entrega aceitáveis, e da dificuldade enfrentada pelos consumidores para terem seus problemas solucionados.