Goianésia- Um estudo global sobre saúde mental colocou o Brasil em terceiro lugar entre os países com os piores índices do mundo, considerando 64 nações avaliadas. A pesquisa, encomendada pela Sapien Labs, revela que mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão no planeta, sendo 11 milhões apenas no Brasil.
Para a psicóloga Laura Betancourt, o aumento expressivo de casos está ligado aos traumas provocados pela pandemia, e os efeitos desse período podem se estender por anos.
“Vivemos situações novas e desgastantes, que geram respostas complexas no corpo diante de ameaças percebidas. Quando o gasto é maior do que o corpo suporta, mente e corpo se sobrecarregam, aumentando o risco de adoecimento mais intenso. Nesse contexto, podem surgir doenças físicas e transtornos psicológicos. Se a pessoa percebe que não consegue lidar sozinha, é fundamental procurar um psicólogo ou médico para avaliação”, explica.
O levantamento também destaca que o preconceito contra transtornos mentais, como depressão e ansiedade, continua sendo um dos maiores obstáculos para que pacientes busquem tratamento adequado, agravando os quadros clínicos.
A goianesiense Alessandra Santos relata que vários familiares desenvolveram depressão e ansiedade nos últimos anos e reforça a necessidade de mais acolhimento e informação sobre a importância da ajuda profissional. “Conheço pessoas que passaram por isso e é uma experiência que marca para o resto da vida. O que mais falta é informação e diálogo”, afirma.
Segundo os especialistas, o Brasil enfrenta atualmente uma “segunda pandemia”: as consequências emocionais e psicológicas da crise sanitária da Covid-19. Diante desse cenário, profissionais de saúde mental reforçam a urgência de ampliar o debate público, promovendo empatia, prevenção e acesso a tratamento especializado.




