Produtos são vendidos ilegalmente e amplamente divulgados nas redes

Goianésia- O uso de cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, tem crescido de forma alarmante entre adolescentes e jovens adultos ao redor do mundo. De acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de adolescentes já utilizam o dispositivo, número que acende um alerta entre autoridades sanitárias e especialistas em saúde pública.

Apesar da aparência moderna, dos sabores atrativos e da falsa imagem de segurança, os cigarros eletrônicos contêm nicotina e diversas substâncias tóxicas que causam dependência e sérios danos à saúde, especialmente aos pulmões.

A pneumologista Ângela Paiva destaca que os vapes são, na verdade, um novo rosto para um problema antigo. “Os cigarros eletrônicos foram lançados com a promessa de ajudar as pessoas a parar de fumar, mas isso não passa de marketing da indústria do tabaco. Eles contêm nicotina e outras substâncias cancerígenas, semelhantes às do cigarro convencional, e ainda trazem novos riscos”, alerta.

Ela reforça que o apelo visual e social dos dispositivos engana principalmente os mais jovens. “Esses produtos são promovidos como modernos, divertidos, e acabam sendo associados a uma identidade de grupo. Muitos adolescentes começam a usar vape por influência dos amigos, sem ter ideia dos riscos à saúde.”

No Brasil, a venda, importação e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas pela Anvisa desde 2009. No entanto, os dispositivos seguem amplamente disponíveis no comércio ilegal e em plataformas digitais, o que facilita o acesso principalmente entre os jovens.

A popularização dos vapes entre adolescentes é impulsionada por campanhas de marketing disfarçadas, muitas vezes com a ajuda de influenciadores e perfis nas redes sociais, que divulgam os produtos como uma alternativa “menos prejudicial” ao cigarro tradicional, uma ideia considerada perigosa e equivocada por especialistas.