Goianésia - As mensalidades das escolas particulares em Goiás devem sofrer um aumento entre 9,5% e 9,8% a partir de 2026. A projeção é do Grupo Rabbit, consultoria especializada em gestão educacional, que realizou levantamento com 21 escolas goianas e 308 instituições privadas em todo o país. O reajuste estimado supera em mais do que o dobro a inflação projetada para 2025, de 4,81%, e é atribuído a três principais fatores: aumento salarial de professores, pressão inflacionária e novos investimentos estruturais e pedagógicos.
De acordo com o estudo, o cálculo dos reajustes considera as despesas com pessoal, encargos, custos operacionais e melhorias promovidas pelas instituições, como atualizações tecnológicas e adequações físicas. Ainda que os percentuais médios sejam semelhantes em diversas regiões, cada escola possui autonomia para definir seus próprios índices, com base em sua realidade administrativa.
Henrique Figueiredo Teixeira, fiscal das relações de consumo e coordenador da Escola Estadual de Defesa do Consumidor, lembra que os pais e responsáveis têm respaldo legal para exigir transparência no processo de reajuste. “A Lei Federal nº 9.870, de 1999, determina que as escolas devem apresentar planilhas de custo detalhadas, contendo despesas com pessoal, manutenção, impostos e inovações no projeto pedagógico. Esses documentos devem estar disponíveis tanto para as famílias quanto para o poder público”, explica.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiás (Sepe-GO), Flávio Roberto Castro, reforça que os percentuais divulgados representam médias e não refletem as particularidades de cada escola. “Fatores como número de alunos, quantidade de turnos, estrutura física, regime de locação do imóvel e perfil do público atendido influenciam diretamente na composição dos custos. Por isso, é fundamental que cada instituição justifique seu reajuste com base em sua planilha de custos específica”, afirma.
Diante da previsão de aumento, o Procon Goiás orienta que pais e responsáveis avaliem com atenção os contratos escolares antes de renovar a matrícula. A recomendação é solicitar os documentos que fundamentam o reajuste e denunciar qualquer prática considerada abusiva, garantindo maior transparência e equilíbrio na relação entre consumidor e instituição de ensino.




