Goianésia - Preso nesta quarta-feira (1º) sob suspeita de abusar sexualmente da própria filha, uma criança de apenas dois anos, o ex-deputado estadual goiano Iram Saraiva Júnior já foi visto, nos anos 1990, como uma das grandes promessas da política goiana. Iram, que é médico e já foi vereador em Goiânia, foi detido na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde residia atualmente.
Filho do falecido ex-senador e ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Iram Saraiva, figura respeitada por sua cultura e influência , Iranzinho, como era conhecido, teve trajetória expressiva no PMDB e ocupou cargos de destaque no cenário político local.
Durante sua carreira, Iram Júnior atuou como vereador em Goiânia entre 1997 e 1999, mas deixou o cargo após ser eleito deputado estadual na Assembleia Legislativa de Goiás. Além disso, teve papel importante na coordenação de campanhas eleitorais do ex-governador Iris Rezende, uma das principais lideranças do partido.
Em 2000, foi candidato a vice-prefeito de Goiânia na chapa de Mauro Miranda, mas a coligação teve desempenho fraco nas urnas, somando apenas 5,94% dos votos válidos. Mesmo assim, permaneceu ligado à administração pública, especialmente nas gestões de Iris Rezende na prefeitura, onde comandou mais de dez órgãos municipais, incluindo a Secretaria de Habitação.
Mais tarde, em 2012, foi convidado pelo então prefeito Paulo Garcia (PT) para assumir a Secretaria de Governo, com o aval do PMDB. O cargo exigia forte atuação na articulação com outras esferas de poder.
A aliança política, no entanto, começou a ruir com a decisão do PMDB de romper com a gestão petista. Em resposta, Iram Júnior divulgou uma carta pública em que anunciou sua saída do partido. No documento, desabafou sobre o ambiente interno da legenda: “Relutava em sair, mas sempre recordava das palavras de diversos companheiros que diziam que meu trabalho jamais seria reconhecido enquanto o comando permanecesse concentrado nas mãos de um único líder”.
Ainda na carta, ele responsabilizou diretamente Iris Rezende pelas dificuldades financeiras enfrentadas por Paulo Garcia ao assumir a prefeitura. Segundo ele, o suposto dinheiro deixado em caixa não cobriria despesas não contabilizadas nem garantiria o pagamento dos compromissos com os servidores públicos.




