Goianésia- O desperdício de alimentos ainda é um dos maiores desafios globais: milhões de toneladas de comida deixam de chegar à mesa das famílias todos os anos. Para enfrentar esse problema, a agroecologia desponta como uma alternativa eficaz e sustentável, promovendo práticas de produção mais conscientes e reduzindo perdas desde o cultivo até a comercialização.
A engenheira agrônoma Larissa Almeida destaca que a agroecologia oferece soluções concretas para esse cenário.
“A agroecologia é uma prática de cultivo baseada em princípios ecológicos. Os sistemas agroecológicos buscam uma produção agrícola que respeite o meio ambiente, aproveitando ao máximo os recursos naturais utilizados. Isso, por si só, já contribui para a redução do desperdício. Na prática, esses sistemas priorizam a diversidade de culturas, o que gera menor impacto ambiental e menos perdas, principalmente quando comparado aos métodos convencionais”, explica.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam alimentos no mundo. A agroecologia propõe justamente o uso racional e sustentável dos recursos naturais, incentivando a produção diversificada e sazonal, com alimentos da época, que são mais nutritivos, acessíveis e menos propensos ao descarte.
Para a agrônoma e engenheira de alimentos Carol Nakara, o combate ao desperdício também depende do papel das indústrias e de políticas públicas eficazes.
“Esse modelo sustentável envolve todas as etapas: da produção à colheita, passando pela embalagem, armazenamento, processamento, distribuição e consumo. Além disso, é essencial informar e estimular mudanças nos hábitos dos consumidores. Iniciativas como o Banco de Alimentos, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e políticas que encurtam a distância entre o campo e a cidade são fundamentais para apoiar modelos como a agroecologia”, afirma.
Além de reduzir o desperdício, a agroecologia contribui para a segurança alimentar, gera renda para pequenos produtores e fortalece a economia local. Especialistas ressaltam que o consumo consciente e o apoio à produção agroecológica são passos essenciais para garantir que mais alimentos cheguem a mais pessoas, de forma justa, sustentável e sem excessos.




