Goianésia - Os produtores de soja do Vale do São Patrício estão prontos para iniciar mais uma safra, mas enfrentam um desafio crescente: as variações climáticas. Ao contrário de anos anteriores, o início do plantio neste ciclo exige ainda mais cautela por conta da instabilidade das chuvas e da alta nos custos de produção.
O fiscal da Agrodefesa em Goianésia e região, Carlos Alberto, destaca que a definição do momento ideal para o início do plantio é uma das decisões mais delicadas para o produtor rural.
— Sabemos que o momento mais difícil para o produtor é decidir quando plantar. Existem muitas variáveis envolvidas, e os custos elevados obrigam o agricultor a pensar também na janela da safrinha. A vontade é sempre plantar mais cedo, mas isso nem sempre é possível. Na safra passada, por exemplo, a chuva demorou a chegar e isso prejudicou bastante a safrinha em várias regiões do país, explicou.
Diante desse cenário, o planejamento técnico e estratégico se torna ainda mais essencial para reduzir riscos e garantir produtividade. De acordo com o engenheiro agrônomo Felipe Lúcio, a escolha das variedades corretas, o uso de biotecnologia e ferramentas de manejo são fatores que podem fazer a diferença no campo.
— No Cerrado, pragas como o capim-amargoso e a vassourinha-de-botão têm ganhado relevância não apenas pela expansão das áreas agrícolas, mas pela resistência ao controle químico. O uso contínuo de herbicidas como o glifosato tem levado à perda de eficácia, com prejuízos que podem ultrapassar 80% da produção. Por isso, é fundamental escolher corretamente as cultivares e as biotecnologias associadas, para permitir um manejo mais eficiente dessas invasoras, alerta.
Apesar dos desafios, a expectativa para a safra 2024/2025 é positiva. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Goiás colheu 20,4 milhões de toneladas de soja na última temporada, um crescimento de 21,4% em comparação ao ciclo anterior. Com produtividade recorde de 4,1 toneladas por hectare, o estado se consolidou como o terceiro maior produtor de soja do Brasil.
A nova safra traz incertezas, mas também a confiança de que, com planejamento, tecnologia e conhecimento técnico, o agricultor goiano saberá enfrentar mais um ciclo de produção.




