Relatório nacional aponta que apenas 9,9% dos alunos do ensino médio goiano aprendem o esperado em português e matemática

 

Goianésia - A aprendizagem dos estudantes em Goiás apresenta queda progressiva ao longo da educação básica, segundo dados da 12ª edição do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025. O levantamento, produzido pelo movimento Todos Pela Educação, em parceria com a Editora Moderna e a Fundação Santillana, mostra que apenas 47,1% dos alunos concluem os anos iniciais do ensino fundamental, até o 5º ano, com desempenho adequado em língua portuguesa e matemática.

A situação se agrava nas etapas seguintes. Nos anos finais do ensino fundamental, até o 9º ano, o índice de aprendizagem adequada cai para 23,3%. Já no ensino médio, apenas 9,9% dos estudantes goianos alcançam o nível esperado nas duas disciplinas.

Segundo o professor André Lázaro, esse cenário impacta diretamente a vida cotidiana e a formação crítica dos cidadãos. “Se as pessoas tivessem um pouco mais de conhecimento em matemática, não cairiam em armadilhas como os jogos de aposta. O site sempre ganha, porque é feito para isso. Essa ignorância matemática tem um impacto brutal na vida do cidadão brasileiro. O mesmo vale para a leitura: a dificuldade em interpretar textos favorece a disseminação de fake news”, avaliou.

Lázaro também aponta o uso excessivo de telas como um fator que atrapalha o ritmo de estudos de crianças e adolescentes. “Estudar exige concentração, e hoje a atenção virou a mercadoria mais disputada. Com isso, estamos vendo uma redução significativa na leitura por prazer. O número de não-leitores no Brasil já supera o de leitores, considerando pessoas a partir de cinco anos de idade”, destacou.

Apesar dos desafios, o estudo também aponta avanços. Goiás se destacou positivamente na alfabetização de crianças até o 2º ano do ensino fundamental. Em 2024, 73% dos alunos goianos dessa faixa estavam alfabetizados segundo o critério do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), superando a meta nacional, que era de 69%.