Goianésia - Uma nova diretriz divulgada no Congresso Brasileiro de Cardiologia tem mudado a forma como a pressão arterial é classificada no Brasil. O documento, elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), estabelece que valores a partir de 12 por 8, antes considerados “normais limítrofes”, passam a exigir acompanhamento médico. A reclassificação tem como objetivo reforçar a prevenção: mesmo antes da instalação completa da hipertensão, os médicos devem recomendar mudanças no estilo de vida e, dependendo do risco cardiovascular do paciente, avaliar a necessidade de iniciar tratamento medicamentoso.
Em entrevista exclusiva à RVCFM, o cardiologista Dr. André Dias explica que a pressão de 12 por 8 não exige o uso imediato de medicamentos, mas deve ser acompanhada de perto.
“Quem apresenta pressão nesse nível deve ser acompanhado, mas o tratamento inicial não precisa ser medicamentoso. O foco deve ser a prevenção, com alimentação equilibrada, atividade física regular e controle do peso”, orienta o médico.
Pacientes com pressão acima de 14 por 9 podem necessitar de medicação, mas estudos mostram que metade dos casos consegue normalizar os níveis apenas com hábitos mais saudáveis. O Dr. André reforça que a hipertensão é uma condição muitas vezes silenciosa.
“A hipertensão em inúmeros casos não apresenta sintomas visíveis, o que dificulta o diagnóstico precoce. Por isso, o monitoramento constante é essencial”, alerta.
Essas mudanças já estão impactando a prática médica e concursos públicos na área da saúde, onde a pressão 12 por 8 já é classificada como elevada, ainda que sem indicação automática de uso de remédios. A recomendação é que a população se mantenha atenta, priorize medidas de prevenção e procure avaliação médica ao menor sinal de alteração nos níveis de pressão arterial.
A nova diretriz brasileira acompanha uma tendência internacional. Pesquisas apresentadas recentemente no Congresso Europeu de Cardiologia também apontaram que valores a partir de 12 por 8 estão relacionados a maior risco de desenvolver hipertensão, infarto, AVC, demência e Alzheimer.




