Dados mostram que a maioria dos estudantes não dominam nem conteúdos básicos

Goianésia-Um levantamento realizado pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a Ação Educativa, revela um cenário preocupante: apenas 5% dos brasileiros são capazes de interpretar e resolver problemas matemáticos mais complexos. A maioria da população enfrenta dificuldades até mesmo com conceitos básicos, como porcentagem, juros simples e interpretação de gráficos.

A professora de matemática Rayla Santili alerta que a defasagem é profunda e atinge especialmente os adolescentes. “De cada 10 alunos com cerca de 15 anos, sete não aprenderam nem o básico de matemática, segundo o PISA, principal avaliação internacional de educação básica. Os dados mostram que esses estudantes não conseguem resolver equações simples ou calcular distâncias entre rotas. No Brasil, 73% dos alunos apresentam baixo desempenho em matemática, o que é extremamente preocupante”, afirma.

Em Goiás, a realidade segue a mesma tendência nacional. Professores relatam que a matemática continua sendo a disciplina mais temida nas escolas, inclusive em municípios do interior, como Goianésia, onde os índices de aprendizagem ainda estão abaixo do ideal. Especialistas apontam que a falta de estímulo nos anos iniciais do ensino e a defasagem causada pela pandemia são fatores que agravam o problema.

A professora Rayla também destaca o impacto das desigualdades socioeconômicas no desempenho dos estudantes. “Em 2018, 68% dos alunos tinham baixo desempenho em matemática. Agora, esse número subiu para 73%. E o dado mais alarmante é que apenas 1% dos alunos brasileiros atingiram as melhores notas em matemática. Em comparação, em Singapura esse índice é de 41%. A desigualdade social pesa muito: alunos mais ricos alcançaram, em média, 77 pontos a mais que os mais pobres”, ressalta.

Para reverter esse cenário, educadores defendem a adoção de metodologias mais práticas e interativas, que ajudem a aproximar os alunos da matemática de forma mais natural e envolvente. Iniciativas como reforço escolar, uso de tecnologias educacionais e projetos extracurriculares têm mostrado bons resultados em diversas regiões.