Goianésia - Mesmo considerado raro, o retinoblastoma é o câncer ocular mais comum na infância, responsável por 14% dos casos de câncer pediátrico em crianças com menos de dois anos. O tumor se origina nas células em desenvolvimento da retina e pode trazer consequências graves, incluindo a perda da visão e, em casos não tratados, risco de morte.
O oncologista pediátrico José Henrique explica que os primeiros sinais da doença podem ser sutis, mas exigem atenção dos pais e profissionais de saúde. “Entre os sintomas estão o estrabismo, quando um olho fica desviado em relação ao outro, vermelhidão ocular, dor e, em fases mais avançadas, baixa visão”, destaca o médico.
Um dos sinais mais característicos é a leucocoria, conhecida popularmente como “reflexo do olho de gato”. Trata-se de uma mancha esbranquiçada na pupila que aparece ao incidir luz diretamente nos olhos da criança, especialmente visível em fotografias com flash. “Esse reflexo branco, que substitui o reflexo vermelho normal nas fotos, é um indicativo importante para investigação”, reforça José Henrique.
O médico ressalta que o primeiro exame ocular deve ser feito ainda na maternidade. Após a alta hospitalar, recomenda-se que a criança passe por duas consultas com oftalmologista no primeiro ano de vida. O exame de reflexo vermelho, realizado por pediatras ou oftalmologistas, é essencial para detectar alterações precoces.
Além disso, o retinoblastoma pode ter componente genético, o que torna fundamental o aconselhamento familiar e, em alguns casos, a realização de testes moleculares. Trata-se de um dos poucos tipos de câncer infantil que podem ser identificados por meio de rastreamento genético.
O diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento. Quanto antes a doença for identificada, maiores são as chances de cura e preservação da visão.




