Segundo o Unicef, uma em cada cinco crianças ou adolescentes está acima do peso, e os custos globais podem ultrapassar 4 trilhões de dólares por ano até 2035

 

Goianésia - Pela primeira vez na história, a obesidade infantil superou a desnutrição como a principal forma de má nutrição no mundo. A constatação é do novo relatório do Unicef, que revela que uma em cada cinco crianças ou adolescentes está acima do peso, sendo quase metade diagnosticada com obesidade. No Brasil, o crescimento dos índices também impressiona: entre os anos 2000 e 2022, a obesidade infantil triplicou, alcançando 15% da população nessa faixa etária, enquanto a desnutrição caiu para 3%.

Para especialistas, os dados acendem um sinal de alerta. A cardiopediatra Mirna de Souza classifica o cenário como preocupante, destacando que crianças com excesso de peso têm maior probabilidade de desenvolver doenças crônicas já na vida adulta. “A infância mais doente que vemos hoje é reflexo direto de comportamentos alimentares inadequados e sedentarismo. Se nada for feito, teremos adultos mais doentes, com maior risco de desenvolver hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares precocemente”, afirma a médica.

A médica também chama a atenção para os fatores ambientais que contribuem para esse aumento expressivo nos casos de obesidade infantil. Entre eles, estão o sedentarismo, o uso excessivo de telas e o consumo frequente de alimentos ultraprocessados.

Para reverter esse quadro, Mirna destaca a importância de mudanças no ambiente familiar. “Os pais precisam ser exemplo. É essencial promover refeições em família, reduzir o tempo de telas e incentivar atividades físicas ao ar livre. Levar a criança para a cozinha, torná-la parte do preparo dos alimentos e transformar esse momento em uma atividade prazerosa também faz diferença”, orienta.

Além dos impactos na saúde, os prejuízos econômicos associados à obesidade infantil são igualmente alarmantes. O Unicef estima que, sem a implementação de medidas preventivas eficazes, os custos globais com os efeitos da obesidade infantil podem ultrapassar 4 trilhões de dólares por ano até 2035. O relatório reforça a necessidade de políticas públicas e ações integradas entre governos, famílias e comunidades para conter esse avanço silencioso e devastador.