Agrodefesa intensifica controle de morcegos e ações sanitárias após mortes confirmadas em rebanhos bovinos no Centro-Norte goiano

Goianésia - A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) confirmou, neste mês de agosto, cinco novos focos de raiva em herbívoros no estado de Goiás. Quatro dos casos ocorreram em propriedades rurais do município de Carmo do Rio Verde, na região Centro-Norte, e um em Silvânia, no sudeste goiano. Todos os animais infectados morreram.

Diante da confirmação, a Agrodefesa reforçou as ações de vigilância epidemiológica em um raio de até 12 quilômetros das áreas afetadas. As medidas incluem vacinação assistida dos rebanhos, controle de morcegos hematófagos principais transmissores do vírus e ações de educação sanitária junto aos produtores rurais.

Segundo o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, os casos registrados seguem dentro da média anual esperada, embora exijam atenção redobrada. Esses casos diagnosticados fazem parte de uma rotina. Todo ano temos confirmações. Neste ano já tivemos 38 notificações e apenas 15 foram confirmadas, igualando os números de 2024. Não preocupa tanto a cadeia produtiva, mas internamente a Agrodefesa trabalha de forma intensa na contenção desses focos, explicou.

José Ricardo destacou ainda que a principal estratégia de contenção da raiva nos herbívoros é a identificação e o controle dos abrigos de morcegos transmissores. Nosso trabalho foca no contingenciamento das propriedades com focos, com a vacinação dos rebanhos, mas principalmente na identificação dos abrigos. Essa doença é transmitida por um vetor, o morcego hematófago. A única forma de infecção é a inoculação do vírus nos bovinos por meio da mordida. Nossas equipes permanentes já estão em campo, capturando os morcegos e reduzindo sua população para conter a propagação da doença.

A raiva em herbívoros é uma zoonose viral grave, com alta letalidade. É causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central e, nos bovinos, provoca sintomas como alterações de comportamento, dificuldades de locomoção, incoordenação motora, paralisia, salivação excessiva e apatia, levando à morte em poucos dias após o início dos sinais clínicos.

Embora a vacinação contra a raiva em herbívoros não seja mais obrigatória em Goiás, a Agrodefesa reforça que a imunização preventiva segue sendo a forma mais eficaz de proteger os rebanhos. A recomendação é que produtores mantenham o calendário vacinal atualizado e informem qualquer suspeita da doença aos órgãos de defesa sanitária animal.