Goianésia - O uso da inteligência artificial para criação de conteúdos já faz parte da rotina de muitos brasileiros. De acordo com uma pesquisa da Ipsos em parceria com o Google, 54% dos entrevistados no Brasil afirmaram ter utilizado ferramentas de IA para produzir textos, imagens ou vídeos. O número é superior à média global, que está em 48%, e coloca o país entre os líderes mundiais nesse tipo de uso.
Apesar da popularização da tecnologia, especialistas têm feito alertas sobre os riscos de um uso excessivo. A pesquisadora em comunicação e especialista em inteligência artificial, Jullena Normando, ressalta que o problema surge quando o usuário substitui o próprio processo criativo pela produção automática. Segundo ela, esse comportamento pode afastar as pessoas da construção de ideias próprias. “Na medida em que eu peço para o GPT começar uma coisa do zero para mim, eu me distancio do meu próprio processo criativo, da minha propriedade de escrita, de pensamento, de conexão de ideias. Ela entrega algo muito legal, é rápido e parece mágica, mas isso pode ser perigoso”, explica.
Um estudo realizado pela Microsoft reforça essa preocupação ao apontar que o uso excessivo de inteligência artificial pode atrofiar o pensamento crítico. Isso ocorre quando os indivíduos passam a delegar tarefas rotineiras à tecnologia, sem refletir sobre elas, o que reduz o exercício do julgamento próprio e das habilidades cognitivas.
A pesquisa também destaca o chamado Efeito Eliza, fenômeno em que usuários atribuem sentimentos, empatia e inteligência emocional a sistemas de IA, mesmo sabendo que são apenas códigos. Esse comportamento pode intensificar a dependência emocional e funcional dessas ferramentas.
Apesar dos riscos, Jullena acredita que é possível manter o equilíbrio. Para ela, a chave está em compreender a IA como uma ferramenta de apoio e não como substituta da criatividade humana. “A gente vai aprender a usar a nossa criatividade com a inteligência artificial, e não em substituição. Ela acabou de chegar, então ainda estamos nos adaptando. Mas é importante começar o processo criativo por conta própria, e só depois usar a IA como um suporte, mantendo a autenticidade”, orienta.
Especialistas reforçam que a inteligência artificial deve ser vista como um recurso matemático e técnico, e não como uma solução criativa definitiva. A recomendação é clara: a originalidade precisa partir do ser humano, com a IA atuando como parceira, e não como protagonista.




