Goianésia - Nos últimos meses, produtores rurais de diversas regiões de Goiás têm demonstrado grande preocupação com os efeitos das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. A medida tem causado impactos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente em estados como Goiás, cuja economia possui forte dependência do setor agropecuário e exportador.
O principal temor dos produtores está no aumento dos custos operacionais, especialmente em municípios com vocação agrícola consolidada, como é o caso de Goianésia. A região se destaca pela produção de itens diversos, muitos dos quais são tradicionalmente exportados para os Estados Unidos e agora enfrentam barreiras tarifárias que afetam sua competitividade.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Pedro Leonardo, abordou as ações do governo estadual para mitigar os efeitos dessas novas tarifas. Segundo ele, a gestão do governador Ronaldo Caiado tem promovido articulações com entidades representativas do setor produtivo, buscando soluções práticas e sustentáveis para enfrentar o chamado "tarifaço".
“O Governo do Estado tem atuado junto às lideranças do agro e também com o apoio da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo. Nosso objetivo é criar alternativas que ajudem a reduzir os impactos negativos dessa política americana, que pode comprometer significativamente cadeias produtivas como a de carnes e, especialmente, a de açúcar orgânico”, destacou o secretário.
Pedro Leonardo ressaltou que Goiás é hoje o maior produtor de açúcar orgânico do Brasil e um dos principais exportadores do mundo. Segundo ele, os produtores goianos têm a qualidade e a escala necessárias para atender ao exigente mercado americano, que, por sua vez, não consegue suprir mais do que 7% de sua própria demanda. “O mercado dos Estados Unidos vai precisar buscar alternativas. E se não for do Brasil, onde vai encontrar produto de qualidade com essa capacidade de abastecimento?”, questiona o secretário.
Além da tentativa de diálogo direto com representantes comerciais americanos, o governo estadual também está em busca de novos mercados para escoar a produção goiana. “Estamos trabalhando com apoio de embaixadas e entidades para abrir espaço na Europa, no mercado asiático e em outros destinos que valorizem as qualidades do nosso produto”, afirmou.
O impacto das tarifas não se restringe apenas ao açúcar. A carne suína, o milho e outros produtos também estão na lista de preocupação das autoridades goianas. “Mesmo que o milho não represente um volume tão expressivo quanto a cana ou a carne, ele é produzido em larga escala por pequenos e médios produtores. Ou seja, qualquer variação afeta diretamente a economia de dezenas de municípios goianos”, disse.
Entre as medidas em estudo, está a criação de linhas de crédito com juros reduzidos e prazos de carência ampliados, voltadas para empresas exportadoras. O objetivo é manter os investimentos, evitar demissões e assegurar a sustentabilidade das cadeias produtivas mais afetadas.
Outro ponto levantado pelo secretário é o potencial impacto negativo ao próprio consumidor norte-americano. Com a elevação dos preços, a população dos Estados Unidos pode acabar pressionando seu governo a rever as políticas tarifárias. “No final das contas, quem vai pagar essa conta é o consumidor americano. O Brasil é praticamente o único país com capacidade de abastecimento imediato e com a qualidade exigida”, argumentou.
A preocupação é ainda maior diante da previsão de que a safra 2024/2025 de cana-de-açúcar em Goiás seja uma das maiores da história, consolidando o estado entre os três maiores produtores do país. “Temos uma safra promissora pela frente, mas as barreiras tarifárias colocam em risco toda essa produtividade. Precisamos de medidas que garantam a continuidade das operações, a manutenção dos empregos e o crescimento do setor”, concluiu.
O governo de Goiás segue acompanhando de perto as negociações e promete continuar atuando em todas as frentes possíveis para defender os interesses dos produtores goianos, que veem no mercado internacional uma peça-chave para o desenvolvimento econômico do estado.




