Goianésia - O Brasil ultrapassou a marca de R$ 2,4 trilhões em arrecadação de impostos, taxas e contribuições entre 1º de janeiro e 12 de agosto de 2025, segundo dados do Impostômetro, ferramenta da Associação Comercial de São Paulo que monitora em tempo real os tributos pagos pela população. O volume é atingido cada vez mais cedo no ano, impulsionado pelo aquecimento da economia, inflação e a alta carga tributária incidente sobre o consumo.
No mesmo período, Goianésia arrecadou R$ 599,5 milhões, valor significativo para um município de médio porte. No entanto, a maior parte dessa quantia não permanece na cidade. Pelo modelo atual de repartição tributária, 68% dos tributos vão para a União, 24% ficam com os estados e apenas 18% retornam aos municípios.
Esse desequilíbrio é percebido pela população, que sente dificuldade em ver os efeitos diretos da arrecadação nos serviços públicos. “O imposto cobrado é bem usado onde? A segurança continua horrível, a saúde continua horrível, as ruas cheias de buraco. E tudo está mais caro”, desabafa o morador Alan Rodrigues.
A percepção é compartilhada por Igor Davila, também residente em Goianésia. “A impressão que fica é que nosso imposto não está sendo bem aplicado. Basta assistir ao noticiário ou caminhar pela cidade para ver a precariedade da infraestrutura”, afirma.
Na prática, embora arrecade centenas de milhões de reais, o município depende de repasses estaduais e federais para investir em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e infraestrutura. A limitação orçamentária é um dos principais entraves enfrentados pelos gestores municipais, que muitas vezes têm pouca margem para realizar melhorias de impacto com recursos próprios.




