Goianésia - Entrou em vigor na última quarta-feira (6) a nova taxação imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que já acende um alerta no setor do agronegócio em Goiás. A sobretaxa, assinada pelo presidente Donald Trump, impacta diretamente a competitividade de produtos como carne bovina e café, que são importantes itens da pauta de exportações goiana.
O gerente técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Leonardo Machado, afirma que, até o momento, as articulações entre o Governo Federal e o setor produtivo não resultaram em avanços concretos. “A preocupação é grande, especialmente com o café e a carne bovina. Sabemos que esses produtos têm forte presença no mercado americano e uma taxação de 50% pode gerar efeitos negativos tanto para nós quanto para o consumidor dos EUA. Ainda assim, não houve resposta concreta à pressão interna americana”, destaca.
Segundo dados do setor, mais de 70% dos produtos goianos exportados aos EUA ficaram de fora da lista de exceções divulgada no fim de julho, o que deve provocar um prejuízo estimado em US$ 248 milhões nas exportações do estado até o fim de 2025. A carne bovina, responsável por mais de US$ 160 milhões deste total, é o principal item afetado.
Apesar do cenário adverso, Leonardo destaca que o mercado já começou a se movimentar para reagir aos impactos. “Percebemos que, em junho, houve uma precificação antecipada da taxação. O preço pago pelos frigoríficos ao produtor teve uma leve queda, mas agora vemos sinais de recuperação, puxados principalmente pela força do mercado interno, que consome cerca de 70% da carne produzida no país.”
A reestruturação de rotas comerciais, a ampliação de mercados alternativos e o fortalecimento do consumo doméstico estão entre as medidas estudadas por produtores e entidades ligadas ao agronegócio goiano. A expectativa é que o cenário se estabilize nos próximos meses, mas o setor mantém cautela quanto aos desdobramentos econômicos da medida norte-americana.
“Estamos trabalhando para preservar a competitividade do nosso produto e reduzir os danos. Mas é evidente que essa taxação representa um desafio importante para toda a cadeia produtiva”, conclui Leonardo.




