Goianésia - A depressão entre jovens e adolescentes tem se tornado um problema de saúde pública cada vez mais preocupante no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio já é a quarta principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no país. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, os índices também seguem em alta, revelando um cenário que exige atenção redobrada de famílias, escolas e autoridades.
A psicóloga clínica Danielle Rodrigues destaca que os dados são alarmantes e refletem mudanças sociais que ainda não acompanharam a necessidade de apoio emocional para os jovens: “Cada vez mais tem sido recorrente o número de suicídios na adolescência. Muitos desses casos envolvem meninos, o que nos leva a refletir sobre uma cultura que ainda oferece pouca abertura para que eles falem sobre emoções. Ainda se espera que os meninos se posicionem de forma precoce, madura e emocionalmente equilibrada, mas pouco se discute com eles sobre sentimentos.”
Em Goianésia, profissionais de saúde mental confirmam que essa realidade também se faz presente. Escolas, unidades de saúde e projetos sociais têm buscado atuar de forma integrada, promovendo rodas de conversa, ações de prevenção e acolhimento psicológico. O objetivo é criar ambientes seguros para que os jovens possam se expressar sem medo ou julgamento.
Danielle ressalta que o contexto social e digital também influencia nesse cenário.
“A frequência maior de suicídios na adolescência, especialmente entre meninos, envolve fatores como a repressão emocional, a pressão para se definir sexualmente e a exposição a conteúdos perigosos na internet. Muitos adolescentes, por meio de jogos online, acabam entrando em contato com pessoas desconhecidas que lançam desafios que colocam suas vidas em risco. É algo muito sério e que exige vigilância constante.”
Os sinais de depressão nem sempre são claros, mas podem se manifestar por mudanças repentinas de comportamento, isolamento, queda no desempenho escolar, perda de interesse por atividades antes prazerosas, além de alterações no sono e apetite.
Especialistas alertam que pais, professores e colegas de convivência têm um papel fundamental na identificação precoce desses sinais. A escuta ativa, o apoio emocional e o encaminhamento para acompanhamento profissional podem salvar vidas.




