Mudança inclui atualização de tabela, novos critérios de desempenho e aumento de até 5% em consultas

 

Goianésia - O Instituto de Assistência dos Servidores do Estado de Goiás (Ipasgo) iniciou a implantação de um novo modelo de contratualização com sua rede credenciada, que inclui médicos, clínicas e outros prestadores de serviços de saúde. A proposta envolve a atualização da tabela de consultas, assinatura de novos contratos e credenciamento de profissionais, com foco especial nas especialidades com maior demanda.

De acordo com o presidente do Ipasgo, Bruno D’Abadia, o objetivo é modernizar a relação com os prestadores, corrigir distorções históricas nos valores pagos e oferecer maior segurança jurídica. “Algumas especialidades foram contempladas com valores diferenciados, justamente para atender as exigências da ANS quanto ao tempo de atendimento e, principalmente, para melhorar o acesso dos beneficiários. Os reajustes foram definidos com base em estudos de mercado e na oferta reduzida de determinados profissionais”, explica.

Além da revisão da tabela de consultas, o novo contrato prevê cláusulas de reajuste periódico vinculadas a critérios de qualidade e desempenho, uma exigência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O plano também inclui a criação de um modelo de avaliação dos prestadores e a atualização dos honorários e procedimentos com inclusão de novos códigos.

Apesar das medidas, o reajuste aplicado à especialidade de cardiologia gerou insatisfação. Os cardiologistas receberam aumento de 5% para consultas com agendamento e 30% para atendimentos sem agendamento. O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Regional Goiás, Alberto Las Casas Júnior, criticou a forma como a decisão foi tomada.

Segundo ele, o reajuste foi definido sem diálogo com a categoria e é insuficiente diante da inflação acumulada e da valorização de outras especialidades. “O reajuste foi unilateral, sem ouvir os representantes da cardiologia. Enquanto outras áreas receberam até 90% de aumento, a cardiologia teve apenas 5% nas consultas agendadas. Isso afeta diretamente a qualidade do atendimento e sobrecarrega os profissionais”, destacou.

Las Casas Júnior ainda alertou para o impacto da medida na rotina dos atendimentos. Segundo ele, com remuneração reduzida, os médicos precisam atender mais pacientes em menos tempo, o que pode comprometer a atenção dedicada a cada usuário.

Em nota, o Ipasgo informou que o processo de contratualização está em fase de ajustes e reforçou que as mudanças abrangem todas as categorias profissionais da rede, com o objetivo de construir um modelo mais sustentável, eficiente e equilibrado para o sistema.