Goianésia - Durante o mês de agosto, ocorre em todo o país a campanha “Agosto Lilás”, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher. Em Goianésia, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) tem ampliado as ações de prevenção, com palestras e parcerias com órgãos municipais, para levar informação e combater a normalização da violência.
A Delegada, Ana Carolina Pedrotti , titular da Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher(DEAM), explica que, embora o foco da campanha esteja em agosto, o trabalho da Deam é constante ao longo de todo o ano: “A Deam trabalha todos os meses do ano com foco na prevenção da violência doméstica. O que a gente tem visto é que, ao contrário de outros crimes, esse tipo de violência tem aumentado. Casos de feminicídio, por exemplo, estão cada vez mais frequentes. Tivemos recentemente o caso de uma mulher que recebeu 61 golpes dentro de um elevador. Foi uma situação brutal. Esses crimes têm uma lógica diferente e, por isso, a prevenção também precisa ser diferenciada”, afirma a delegada.
Segundo ela, o avanço na conscientização tem encorajado mais mulheres a denunciar, mas ainda há muitas barreiras emocionais, sociais e financeiras que impedem a vítima de romper com o ciclo de violência.
“Muitas vezes a mulher tem filhos com o agressor, depende financeiramente dele, ou está emocionalmente presa àquela relação. Existe um medo real. Ela pensa: se ele for preso, como vou sustentar meus filhos? Como vou cuidar deles sozinha? Por isso a violência doméstica não é um problema que se resolve apenas com a prisão do agressor. É necessário um trabalho conjunto com a assistência social para tratar o psicológico da vítima, oferecer apoio, creches para os filhos, orientação jurídica e autonomia financeira”, detalha Ana Carolina.
A delegada também lembra que, em 2023, a Lei Maria da Penha foi atualizada e ampliou o entendimento sobre o que é agressão. “Hoje, não falamos apenas de violência física. A própria lei já elenca outros tipos, como a violência psicológica, verbal, patrimonial e moral. Um xingamento, por exemplo, configura crime de injúria e, se ocorrer dentro de uma relação familiar, é enquadrado como violência doméstica”, explica.
Além de relações conjugais, a lei também se aplica a outros contextos. “Já tivemos um caso envolvendo uma empregada doméstica, por exemplo, que vivia na casa onde trabalhava. A Lei Maria da Penha se aplica porque ela fazia parte daquele ambiente doméstico. É uma legislação ampla, que protege a mulher em diferentes situações”, reforça.
Para mudar esse cenário, a delegada defende que o combate à violência comece na base, com educação e mudança de mentalidade.
“Precisamos conscientizar os homens de que a mulher não é propriedade de ninguém. Isso tem que ser ensinado desde a infância. Por isso fazemos palestras em escolas, empresas, em parceria com o município, buscando levar informação e transformação para mulheres e homens”, conclui.




