Juros altos, crédito fácil e falta de informação fazem com que consumidores cheguem a atrasar dívidas por mais de 15 meses em diferentes modalidades

 

Goianésia - O uso do cartão de crédito e a contratação de empréstimos em bancos ou financeiras continuam entre os principais fatores que levam ao endividamento da população em Goiás. A constatação vem de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que ouviu consumidores inadimplentes há mais de três meses em todas as capitais do país.

De acordo com o levantamento, 23% dos entrevistados afirmaram estar com pagamentos atrasados no cartão de crédito. Em seguida, aparecem os empréstimos em bancos ou financeiras, com 16%, e o crediário, com 12%.

A pesquisa também revelou que as contas com maior tempo médio de atraso incluem cheques pré-datados e dívidas com instituições de ensino (escola, faculdade ou FIES), ambas com média de 15 meses de inadimplência. Em seguida, estão os débitos com condomínio (13 meses), crediário (11 meses) e empréstimos (11 meses).

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), Valdir Ribeiro, considera o cenário preocupante, principalmente em um momento de juros elevados e ampla oferta de crédito no mercado.

"As pessoas não fazem a conta total dos juros. Às vezes olham só a taxa anunciada, mas esquecem que existem outras cobranças embutidas, como taxas de serviço. Muitas vezes assinam contratos longos e complexos sem entender exatamente o que estão contratando", explica Valdir.

Para o dirigente, o caminho mais eficaz para sair do endividamento é buscar negociação com os credores, priorizando as dívidas com juros mais altos.

"Depois de estar endividado, é preciso negociar. Pagar primeiro as contas com juros mais pesados e tentar conseguir redução nas taxas. Também é importante avaliar bem as condições antes de assumir novas dívidas, tanto com bancos quanto com lojas", aconselha.

A pesquisa ainda indica que, na hora de escolher o que pagar, as contas de serviços essenciais como água, luz e telefone são as prioritárias. Isso porque o não pagamento pode gerar o corte imediato do serviço, impactando diretamente no dia a dia das famílias.