Iniciativa permitirá que planos de saúde atendam pacientes do SUS em troca de dívidas, com prioridade para especialidades com maior demanda

 

Goianésia - O governo federal deu início a uma nova estratégia para acelerar o acesso a consultas, exames e cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, batizada de Agora Tem Especialistas, permite que hospitais e clínicas privadas realizem atendimentos para pacientes da rede pública por meio da compensação de dívidas que operadoras de planos de saúde possuem com o SUS. A medida não terá nenhum custo para os cidadãos.

O programa foi oficializado por uma portaria conjunta entre o Ministério da Saúde e a Advocacia-Geral da União. A adesão dos planos privados começa na próxima semana, e a oferta dos serviços será conectada às filas estaduais e municipais por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde. A seleção dos pacientes seguirá critérios clínicos estabelecidos por autoridades locais, com acompanhamento em tempo real pela regulação pública.

Segundo Rodrigo Oliveira, diretor de Programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, a medida é uma forma de utilizar toda a capacidade instalada do sistema de saúde brasileiro para enfrentar a demanda acumulada: “Estamos ampliando turnos, mobilizando hospitais públicos e agora somando os planos de saúde à estratégia. O paciente não precisa fazer nada além de manter seu acompanhamento pela rede pública. Ele será avisado se houver encaminhamento à rede privada, inclusive por mensagem.”

Os atendimentos serão direcionados a pessoas já cadastradas nas filas do SUS. A prioridade será dada a especialidades com maior represamento, como cardiologia, ginecologia, ortopedia, otorrinolaringologia, oftalmologia e oncologia. Também estão incluídos exames como tomografia e endoscopia, além de procedimentos cirúrgicos não emergenciais. Casos urgentes seguirão o fluxo normal de atendimento na rede pública.

Rodrigo Oliveira enfatizou que o programa é gratuito e reforçou que não haverá nenhum tipo de cobrança: “É importante deixar claro que o cidadão não precisa procurar operadoras privadas. A marcação será feita pelo SUS, de forma transparente, com base em critérios técnicos. Essa é uma ampliação de oferta usando toda a estrutura de saúde do país.”

Estados e municípios deverão entrar em contato com os grupos estaduais do programa para conhecer os serviços disponíveis e orientar a população. O Ministério da Saúde já iniciou reuniões e videoconferências com gestores locais para garantir a implementação efetiva da nova etapa.