Com acidentes em alta, proposta levanta dúvidas sobre impacto na segurança nas ruas e estradas

Goianésia- O governo federal estuda permitir que candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) possam realizar o processo de habilitação sem a obrigatoriedade de frequentar uma autoescola. A proposta, que ainda está em fase de análise pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e outros órgãos competentes, busca reduzir o custo do documento, que hoje pode ultrapassar R$ 2 mil. A medida, no entanto, tem gerado polêmica e dividido opiniões entre a população e especialistas.

Para muitos brasileiros, como Letícia Coelho, a mudança poderia facilitar o acesso à CNH. “Na minha opinião, seria bom e ruim. Seria bom porque diminuiria o valor que pagamos para tirar a carteira, e muita gente que já sabe dirigir, mesmo sem habilitação, poderia se regularizar com mais facilidade. Mas, ao mesmo tempo, seria ruim para quem nunca dirigiu e não tem ninguém para ensinar. Como essa pessoa vai aprender?”, questiona.

O debate reacendeu uma discussão sensível: a segurança no trânsito. Enquanto alguns defendem a desburocratização do processo, especialistas alertam que a formação adequada dos motoristas pode ser comprometida com a retirada da etapa prática nas autoescolas.

Em Goianésia (GO), por exemplo, os números preocupam. Somente em 2025, já foram registrados 244 acidentes de trânsito, com duas mortes e centenas de feridos. Para o morador João Guilherme, retirar as autoescolas do processo pode agravar ainda mais esse cenário. “Pode parecer uma boa ideia no início, principalmente pelo custo, mas não acho que seja a melhor solução. Os acidentes acontecem por falta de noção e de experiência dos motoristas. A autoescola ensina direção defensiva, regras básicas e até noções sobre o funcionamento do carro. Tirar isso pode aumentar o número de sinistros. O ideal seria encontrar formas de reduzir os custos, como eliminar impostos sobre as autoescolas ou sobre os combustíveis que elas utilizam.”

Apesar da proposta estar em análise, ainda não há uma decisão oficial sobre sua implementação. Enquanto isso, especialistas e autoridades reforçam que a educação para o trânsito deve continuar sendo prioridade, especialmente em cidades com altos índices de acidentes.