Produção leiteira é afetada e elevação dos custos pressiona pequenos produtores

Goianéisa - A escassez de chuvas na região de Goianésia tem provocado sérias dificuldades para os produtores rurais, especialmente os que atuam na pecuária leiteira. Com o clima seco e o pasto comprometido, a produção de leite caiu, enquanto os custos operacionais aumentaram. O reflexo já é sentido no bolso do consumidor e, principalmente, na rotina dos produtores.

Cosme Miguel, produtor rural da região, explica que o gado sofre bastante com a falta de água e pastagem, o que exige medidas adicionais e investimentos. “Esse tempo seco acaba com o pasto, e o gado sente. A gente tem que comprar ração, suplementar com silagem, buscar água mais longe. Tudo isso encarece. Tem mês que a conta quase não fecha.”

Quem também enfrenta os prejuízos da estiagem é o produtor José Aparecido. Ele destaca a oscilação na produção de leite e a dificuldade em manter a produtividade. “O gado sente demais. Esses dias de sol forte, o pasto já secou de novo, e o leite tá caindo. É complicado mexer com leite assim. Mesmo com o esforço, se não chover, o prejuízo vem. Quando chove, o gado engorda, o leite aumenta, mas agora tá tudo parado.”

Para os produtores que trabalham com gado confinado, o cenário também é desafiador. Segundo Vinícius Correia, presidente da Comissão Leiteira da Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás), o custo de produção permanece alto independentemente do clima. “Os produtores que trabalham com confinamento têm uma produção mais estável, mas o custo é sempre elevado. Com ou sem chuva, os gastos com alimentação, água e energia continuam. O gado produz mais, mas também exige muito mais investimento.”

A expectativa é que os impactos da seca só comecem a diminuir com o retorno das chuvas, previsto para meados de outubro. Com o início do plantio e a recuperação das pastagens, os produtores esperam melhorar a rentabilidade e reduzir a pressão sobre os preços.

Além da recuperação climática, a esperança do setor é que o mercado se estabilize, permitindo um alívio financeiro para os pequenos produtores, que atualmente enfrentam um dos períodos mais críticos do ano.