Goianésia- Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial (IA) e dos aplicativos de busca, cresce o número de pessoas que recorrem à internet em busca de diagnósticos e orientações médicas. Apesar de parecerem inofensivas, essas práticas podem representar sérios riscos à saúde quando utilizadas como substitutas das consultas médicas presenciais.
Segundo o médico Ronaldo Zernea, a maioria das inteligências artificiais disponíveis ao público opera por meio de associações com grandes bases de dados, muitas vezes públicas e nem sempre confiáveis. “Essas ferramentas buscam informações por associação em bilhões de dados disponíveis na internet. Embora possam acessar conteúdos verdadeiros, também se deparam com informações sem comprovação científica e até fake news. Isso pode gerar respostas incorretas ou completamente desconectadas da realidade. É o que chamamos de alucinação da inteligência artificial. E, quando falamos de saúde, uma orientação errada sobre um hábito ou medicação pode representar um risco real para o paciente”, alerta o especialista.
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Clínica Médica revelou que cerca de 4 em cada 10 brasileiros já deixaram de procurar um médico para buscar soluções online para problemas de saúde. O dado preocupa os profissionais da área, que reforçam que apenas a avaliação clínica, com histórico detalhado, análise de sintomas e exames laboratoriais, pode garantir um diagnóstico preciso e seguro.
Apesar dos riscos do uso leigo, a IA tem papel relevante na medicina moderna, desde que empregada de forma correta e com supervisão profissional. “Hoje utilizamos modelos estatísticos, como o aprendizado de máquina, que ajudam o médico a processar grandes volumes de dados com mais precisão. Isso facilita o acesso a informações científicas atualizadas, auxilia na identificação de doenças e na definição de tratamentos. Em exames por imagem, por exemplo, a IA já é capaz de distinguir com boa acurácia estruturas normais das patológicas”, explica Ronaldo.
O avanço tecnológico trouxe contribuições significativas para a área da saúde, especialmente no apoio a médicos na triagem, organização de dados e análise de prontuários. No entanto, seu uso indiscriminado por pessoas sem formação médica pode atrasar diagnósticos, levar ao uso incorreto de medicamentos e comprometer seriamente a saúde dos pacientes.




