Goianésia - A área da saúde em Goiás pode enfrentar um aumento expressivo nos custos caso o Brasil decida adotar medidas de retaliação às tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump declarou um tarifaço de 50% sobre diversos produtos brasileiros, e o receio agora é que o governo brasileiro responda com tributações similares, atingindo importações essenciais, como equipamentos médicos e insumos farmacêuticos.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, a estimativa é de que os custos da saúde em Goiás aumentem até 30%, o que representaria R$ 20 bilhões em gastos extras no país, sendo US$ 1,6 bilhão no setor público e US$ 1,65 bilhão no privado. Para buscar alternativas, representantes do setor se reuniram com a Secretaria de Saúde e discutiram medidas de apoio, incluindo linhas de crédito específicas.
“O governador já disponibilizou R$ 340 milhões em fundos de direitos creditórios. Também estamos discutindo recursos do mercado, que somam R$ 628 milhões, além do fundo de equalização para empreendedores. E, em casos mais extremos, há ainda o fundo de estabilização econômica, que representa cerca de R$ 3,8 bilhões”, explicou Rasível.
O presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Renato Daher, destacou que os atendimentos mais prejudicados serão os de alta complexidade, que dependem de insumos importados dos EUA. “Equipamentos como tomógrafos, hemodinâmicas, aceleradores lineares, além de medicamentos oncológicos, vêm quase todos do mercado americano. Um aumento nas tarifas pode gerar escassez e encarecimento desses itens”, alertou.
Outro efeito preocupante é o possível aumento da migração de pacientes da rede privada para o Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, 22% da população goiana conta com planos de saúde. Com o encarecimento dos tratamentos, mais pessoas podem depender do sistema público, pressionando ainda mais a estrutura já limitada do SUS.
Goiás, que é o segundo maior produtor de medicamentos do país, também pode ver sua indústria farmacêutica afetada. De acordo com Marcelo Reis Perillo, presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas de Goiás, parte da matéria-prima utilizada vem exclusivamente dos Estados Unidos. “Se os EUA pararem de fornecer, a competição por esses insumos aumentará no mundo, e o Brasil, como comprador menor, pode ficar sem. Isso impacta diretamente os pacientes mais vulneráveis”, disse.
Entre as propostas emergenciais, está a criação de um comitê de crise, semelhante ao que foi formado durante a pandemia da Covid-19. O objetivo é avaliar alternativas, tentar isentar o setor de saúde de medidas retaliatórias e garantir a continuidade dos serviços essenciais.




