Estima que o estado poderá sofrer uma redução de R$ 798 milhões

Goianésia- A partir do dia 1º de agosto, os Estados Unidos devem aplicar uma tarifa de 50% sobre diversos produtos importados do Brasil. A medida, caso confirmada, pode impactar diretamente a economia de Goiás. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estima que o estado poderá sofrer uma redução de R$ 798 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) como consequência das novas barreiras comerciais.

Entre os setores mais afetados estão o agronegócio, a mineração e a indústria de autopeças, segundo avaliação técnica da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). A nota ressalta que as tarifas podem provocar uma retração de até 15% no fluxo comercial entre Goiás e os Estados Unidos, comprometendo exportações estratégicas para o estado.

O deputado estadual Lineu Olímpio alertou para os impactos diretos no setor sucroenergético, uma das principais atividades econômicas de Goiás. “Aqui é uma região produtora de álcool e açúcar. Grande parte da produção depende da exportação, e essas tarifas podem afetar severamente a competitividade dos nossos produtos no mercado internacional”, afirmou.

A preocupação já começa a ser sentida entre produtores e industriais. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), entre abril e junho deste ano, Goiás exportou cerca de 9.283 toneladas a menos de carne bovina para os Estados Unidos em comparação ao mesmo período do ano anterior. A tendência de queda, segundo os analistas, pode se intensificar caso as tarifas sejam efetivamente aplicadas.

Lineu Olímpio também destacou a possibilidade de perda de competitividade e pressão sobre os preços internos. “Com uma tarifa mais alta, pode haver queda na demanda externa, reduzindo os preços pagos aos nossos produtores e dificultando a operação de usinas e fornecedoras. Ainda não há um impacto imediato, mas o setor já está em alerta. Se isso se confirmar a partir do dia 1º, os reflexos serão inevitáveis”, pontuou.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) também se manifestou. Segundo a entidade, os setores mais sensíveis à medida são a cadeia da carne bovina e da cana-de-açúcar, que podem sentir os efeitos de forma imediata, tanto na queda das exportações quanto na formação de preços no mercado interno.