Medida declara emergência ambiental e foca em prevenção no vale do são patrício, onde focos de incêndio já preocupam autoridades

Goianésia - O Governo de Goiás publicou um decreto que proíbe, por 120 dias, o uso do fogo em atividades agropastoris e florestais em todo o estado. A medida, válida durante o período de seca, tem como objetivo prevenir queimadas e incêndios, com atenção especial ao Vale do São Patrício, onde os focos de calor surgiram mais cedo este ano.

Além da suspensão do uso do fogo, o decreto declara situação de emergência ambiental em Goiás, permitindo que órgãos públicos adotem ações imediatas de prevenção e combate ao fogo e garantam a continuidade dos serviços públicos nas áreas afetadas.

Riscos e cuidados

Segundo André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), o decreto é uma prática anual e visa proteger tanto o meio ambiente quanto a saúde pública. “Ele é reeditado todos os anos para proteger as pessoas, os animais e a nossa natureza. As queimadas, além de provocar incêndios de grandes proporções, pioram muito a qualidade do ar”, alerta.

Amorim lembra que até ações pequenas, como queima de lixo ou limpeza de terreno com fogo, podem sair do controle: “Um foco de queimada pode se transformar em um desastre ambiental e atingir fazendas inteiras, como já aconteceu no passado. Por isso, é essencial a colaboração de todos, moradores urbanos e produtores rurais.”

A região do Vale do São Patrício, especialmente municípios como Goianésia, já registra focos de incêndio mesmo antes do auge da estiagem. O Cimehgo destaca que fatores como temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e vegetação seca aumentam consideravelmente o risco de propagação do fogo.

“Temos muita adesão dos produtores rurais, que já estão se organizando com brigadas de prevenção. Mas a população precisa entender que basta um pequeno foco para causar grandes prejuízos”, reforça Amorim.

Colaboração dos municípios

O decreto também recomenda que os municípios adotem medidas locais para coibir o uso do fogo, seja na queima de lixo doméstico, de vegetação ou de entulhos. A intenção é reforçar a consciência ambiental e reduzir os riscos durante a seca mais intensa.

A ação faz parte de um esforço coletivo para preservar o Cerrado, evitar danos econômicos nas áreas rurais e proteger a saúde da população, principalmente nas cidades mais vulneráveis à poluição gerada pela fumaça.