Alternar diferentes tipos de cultivo na mesma área ao longo das safras contribui para a manutenção da fertilidade do solo

Goianésia- A prática da rotação de culturas tem se consolidado como uma das estratégias mais eficientes para aumentar a produtividade agrícola e garantir a sustentabilidade do solo. Alternar diferentes tipos de cultivo na mesma área ao longo das safras contribui para a manutenção da fertilidade do solo, redução de pragas e doenças, além de aprimorar a qualidade e a rentabilidade das colheitas.

De acordo com o agrônomo José Reis, a rotação de culturas é fundamental para melhorar a saúde do solo. “Percebemos que o solo se torna mais rico, com maior presença de matéria orgânica, o que o torna mais ‘vivo’. Com a rotação, conseguimos reter mais umidade, o que ajuda a mitigar os impactos da seca. A produtividade aumenta, enquanto a incidência de pragas diminui, o que é um aspecto bastante positivo”, explica.


Estudos realizados pela Embrapa mostram que áreas onde se adota a rotação de culturas podem ter um aumento de até 20% na produtividade, dependendo das espécies escolhidas e das práticas de manejo adotadas. Além disso, a técnica contribui para o controle natural de plantas daninhas, reduz a necessidade de fertilizantes químicos e preserva a umidade do solo, fatores que resultam em economia para o produtor.

O engenheiro agrícola José Brandão destaca que a rotação de culturas também exige atenção ao tempo correto de colheita. “O momento da colheita está intimamente ligado ao estado das vagens, que fornecem os subsídios para determinar o tempo certo. Se a planta estiver desfolhada, mas com vagens ainda verdes, pode ocorrer perda de qualidade e peso do grão. O agricultor, ao adotar a rotação, deve avaliar qual problema deseja corrigir ou minimizar, como doenças, por exemplo. Nesse caso, é importante escolher culturas que não sejam hospedeiras ou que possuam resistência a determinadas doenças”, enfatiza.

Especialistas recomendam que o planejamento da sucessão de culturas seja feito levando em consideração as características do solo, o clima da região e as necessidades específicas de cada planta. No Brasil, combinações como soja, milho, feijão e braquiária são algumas das mais utilizadas na rotação, gerando resultados positivos tanto em termos de produtividade quanto em sustentabilidade.