A falta de qualificação tem travado o desenvolvimento econômico local

Goianésia- Um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a falta de mão de obra qualificada é hoje um dos principais desafios enfrentados por empresas em todo o Brasil. Segundo a pesquisa, sete em cada dez empresários relatam dificuldades para contratar profissionais com o nível de qualificação necessário para as vagas disponíveis.

Em Goianésia, a realidade não é diferente. A cidade enfrenta um cenário de alta oferta de empregos não preenchidos, o que tem gerado impactos diretos no crescimento dos negócios e na produtividade. Setores como indústria, construção civil, tecnologia, serviços e logística estão entre os mais afetados.

O consultor empresarial Manoel Messias destaca que a falta de qualificação tem travado o desenvolvimento econômico local. “A gente está falando de mais de mil vagas em Goianésia e região, e muitas delas não são preenchidas. Há uma dificuldade muito grande, até mesmo para vagas mais simples. Isso trava a produção, trava o desenvolvimento econômico, impossibilita o aumento salarial. Temos frentes de produção paradas, máquinas paradas pela falta de operadores qualificados, técnicos de manutenção, eletricistas, mecânicos. Há muitas entregas fora do prazo por falta de profissionais no setor de transporte e logística. Isso é muito ruim para a nossa sociedade, e para o nosso país como um todo”, afirma.

Além da formação técnica, Manoel aponta que o comportamento dos candidatos também influencia na contratação. “O primeiro fator é o comportamento. As pessoas precisam evitar posturas agressivas na internet, ficar criticando ou reclamando, porque os recrutadores estão de olho em como elas se portam, como se comunicam. No fim de um contrato de trabalho, é importante sempre deixar as portas abertas, principalmente em cidades pequenas. Isso pode atrapalhar muito na hora de conquistar uma nova vaga no mercado”, aconselha.

Ele também orienta os trabalhadores a evitar mudanças frequentes de emprego em curto espaço de tempo. “Evitar muitas experiências curtinhas em vários locais. A maioria dos empresários encara isso como sinal de um profissional problemático. Às vezes, é só falta de adaptação, mas é importante construir uma trajetória mais sólida”, explica.


Para especialistas, o problema é resultado de uma combinação entre deficiências na formação técnica e acadêmica, falta de experiência prática e pouco investimento em qualificação contínua. A recomendação é que empresas e trabalhadores atuem juntos para enfrentar esse desafio por meio de cursos técnicos, capacitações e parcerias com instituições de ensino e, assim, preparar melhor os profissionais para as demandas do mercado em Goianésia e em todo o país.