Goianésia - O uso de suplementos alimentares entre crianças tem se tornado uma prática cada vez mais comum, impulsionado, em muitos casos, por modismos e desinformação. Porém, essa tendência desperta preocupações entre especialistas, que alertam para os riscos envolvidos quando o uso dessas substâncias não é feito de forma orientada e acompanhada.
A nutricionista Beatriz Duarte destaca que a suplementação infantil deve ser indicada apenas quando a alimentação não é capaz de suprir as necessidades nutricionais da criança. "Precisa ser analisado de forma individual. Algumas crianças podem ter necessidades maiores que outras, e o que vemos com mais frequência como deficiência nutricional são a vitamina D, a B12 e o ferro. Isso pode ocorrer mesmo em crianças que, à primeira vista, parecem ter uma alimentação adequada", explica a especialista.
Quando a suplementação é necessária?
Em situações específicas, como prematuridade, doenças crônicas (como doença celíaca ou doença de Crohn) e dificuldades no crescimento e ganho de peso, os suplementos podem ser necessários para suprir deficiências nutricionais. No entanto, a nutricionista alerta que até mesmo crianças sem diagnóstico de doenças podem apresentar carências de nutrientes essenciais, como vitamina D, B12 e ferro, sem que os pais percebam.
Porém, Beatriz Duarte faz um alerta importante sobre o uso indiscriminado de suplementos: o excesso pode causar sérios problemas à saúde. "Quando administrados em quantidades acima do necessário, os suplementos podem causar intoxicação, o que é uma das maiores preocupações. É como se estivéssemos tomando medicamentos em doses elevadas. O risco de toxicidade é real e deve ser evitado a todo custo", afirma.
Outro ponto de atenção é o uso de gominhas vitamínicas, que se tornaram populares entre as crianças devido ao sabor e formato atraentes. A nutricionista reconhece que elas podem ser uma alternativa válida para complementar a dieta, desde que sejam de marcas confiáveis. No entanto, ela ressalta que os suplementos devem sempre ser vistos como um complemento à alimentação, e não como um substituto.
"Cada caso deve ser avaliado individualmente. As gominhas podem ser uma opção prática, mas devem ser usadas com cautela e sob orientação profissional", conclui Beatriz.




