Alto custo e renda limitada mantêm maioria da população dependente do SUS

Goianésia- Apenas um quarto da população brasileira possui algum tipo de plano de saúde, seja médico ou odontológico. É o que revela um levantamento recente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo o estudo, apenas 25% dos brasileiros têm acesso a convênios particulares, enquanto a maioria segue dependente do Sistema Único de Saúde (SUS) para exames, tratamentos e atendimentos médicos.

O dado reforça a desigualdade no acesso à saúde no país, especialmente diante do alto custo dos planos. De acordo com a ANS, pouco mais de 50 milhões de pessoas são beneficiárias de planos médicos um número que, embora apresente leve crescimento nos últimos anos, ainda está longe de atender a maior parte da população, estimada em mais de 200 milhões.

A especialista em seguros de saúde Renata Rezende destaca que a busca por planos tem aumentado tanto entre pessoas físicas quanto entre empresas: “Esse movimento é perceptível entre os planos individuais, familiares e empresariais. Cada vez mais empresas têm procurado contratar planos de saúde, o que é excelente. Isso mostra uma preocupação com a qualidade de vida dos colaboradores e também atua na prevenção de doenças mais graves”, afirma.

Já a dentista Ana Karolina observa uma mudança no comportamento dos pacientes, especialmente nas clínicas populares, onde há maior facilidade de pagamento.

“Tenho notado uma procura maior, principalmente por procedimentos estéticos. Acredito que essa mudança tenha a ver com a facilidade de pagamento como parcelamentos por boleto e também com o aumento da preocupação com a saúde após a pandemia. O cuidado com a saúde bucal, por exemplo, tem ganhado mais espaço”, comenta.

Apesar da baixa cobertura dos planos privados, especialistas lembram que o SUS continua sendo um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, essencial para garantir o acesso universal aos serviços médicos no Brasil. O desafio, segundo eles, é investir tanto na ampliação da cobertura dos planos privados quanto na melhoria da infraestrutura, atendimento e capacidade da rede pública.