Goianésia - A obesidade e as doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, representam desafios crescentes para a saúde pública no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta está acima do peso, e cerca de 25% convive com pelo menos uma condição crônica. Nesse cenário, a prática regular de atividades físicas é fundamental para prevenção e controle desses problemas. Entre as diversas alternativas disponíveis, a dança — especialmente o ballet — vem se destacando por unir movimento, arte e bem-estar.
Apesar dos inúmeros benefícios, ainda há um caminho a ser percorrido em termos de inclusão. Muitas pessoas com sobrepeso ou com doenças crônicas ainda se sentem distantes da modalidade.
Para Rafaella Vasconcelos, professora de dança e proprietária do Studio Impulso, em Goianésia o motivo está em um estigma antigo. “Infelizmente, ainda existe um estigma em torno do balé clássico, porque historicamente ele foi associado a um padrão físico muito rígido. Isso afastou muitas pessoas que, entre aspas, não se encaixavam nesse modelo ideal — inclusive aquelas com sobrepeso ou doenças crônicas. Ainda hoje, existe o medo de não se encaixar ou de não ser capaz de se desenvolver através da modalidade. Mas o ballet pode e deve ser acessível a todos. Aos poucos, esse cenário tem mudado com professores e escolas mais conscientes e acolhedoras, que respeitam os limites e as possibilidades de cada corpo”, afirma Rafaella.
Rafaella acrescenta que os aprendizados vão além da técnica. “O ballet não se limita à sala de aula. Ele nos prepara para a vida: ensina a lidar com frustrações, a encarar desafios, a ouvir ‘não’, a recomeçar e a persistir. Mesmo que o aluno não siga carreira profissional, ele leva consigo disciplina, sensibilidade, resiliência. O balé é uma vivência completa que forma pessoas mais conscientes”, conclui.
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