Goianésia - O desabamento de um lixão em Padre Bernardo, município goiano no Entorno do Distrito Federal, causou um grave desastre ambiental ao contaminar o córrego Santa Bárbara e o rio do Sal. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), que interditou o local, agora considerado uma ameaça ambiental ativa.
A secretária da pasta, Andréa Vulcanis, declarou que, apesar da proximidade com o rio Descoberto — responsável pelo abastecimento de água de Brasília — a contaminação não atingirá o sistema da capital federal. Ainda assim, ela classificou a situação como “muito crítica e grave”.
“Foram centenas de toneladas de lixo que desceram e atingiram o curso d’água. Esse chorume provoca muitos impactos ambientais, são danos gravíssimos. A única coisa que eu posso dizer é indignação”, disse a secretária durante visita ao local.
Segundo a Semad, propriedades rurais próximas ao córrego Santa Bárbara e ao rio do Sal devem suspender imediatamente o uso da água dessas fontes, inclusive para abastecimento de criações ou uso doméstico. Laudos iniciais apontam contaminação por chorume — líquido tóxico resultante da decomposição do lixo.
Risco de novos deslizamentos
A pilha de resíduos segue instável e há risco de novos desabamentos, o que pode agravar ainda mais a poluição nos cursos d’água. Técnicos da Semad permanecem na área realizando vistorias, levantamentos de danos e medidas emergenciais. As equipes também atuam em articulação com o Ministério Público de Goiás (MP-GO) e o Ministério Público Federal (MPF).
Além da contaminação da água, autoridades sanitárias alertam para o aumento no risco de doenças devido à presença de insetos, roedores e aves de rapina atraídos pela grande quantidade de lixo exposto, que pode atingir bairros próximos ao lixão.
Lixão operava sem licença ambiental
O desabamento ocorreu na quarta-feira (18), dentro de uma área de preservação permanente, e trouxe à tona uma antiga batalha judicial. Segundo o MP-GO, o lixão operava sem licença ambiental nem estudos técnicos obrigatórios por lei.
“Não nos pegou de surpresa. Era uma tragédia anunciada. O Ministério Público já havia atuado para tentar impedir o funcionamento ilegal do local”, afirma Daniela Haun, coordenadora da Área de Meio Ambiente do MP-GO.
Em 2021, o MP-GO ajuizou uma ação civil pública pedindo a interdição do lixão, e chegou a obter uma liminar que foi posteriormente cassada pelo Tribunal Regional Federal. Mesmo após sete autos de infração e embargos administrativos, o lixão permaneceu funcionando por força de decisões judiciais.
A Prefeitura de Padre Bernardo informou, por meio de nota, que comunicou imediatamente os órgãos competentes e solicitou apoio da Semad para a adoção de medidas legais, ambientais e de contenção de riscos. A administração municipal reforçou o compromisso com a preservação ambiental e com a saúde pública, e afirmou que seguirá cobrando responsabilização dos envolvidos.




