Goianésia - Um levantamento nacional realizado pela Serasa revela um cenário preocupante sobre o comportamento financeiro do brasileiro: 86% das pessoas que conseguem limpar o nome voltam a se endividar em até 12 meses. O dado levanta um importante alerta sobre os desafios enfrentados pelas famílias, que lidam com altos custos de vida, falta de educação financeira e uso imprudente do crédito.
A economista Emilia Borges destaca que o índice elevado de reincidência aponta falhas estruturais no planejamento financeiro pessoal. “Quem mais reincide são os consumidores entre 30 e 39 anos. Essa faixa etária representa muitas vezes o provedor da casa, que acaba recorrendo ao crédito para pagar despesas básicas ou manter um padrão de vida acima da renda disponível”, explica.
O estudo indica que os principais fatores que levam à inadimplência repetida incluem o uso excessivo de cartão de crédito, despesas emergenciais — como problemas de saúde ou manutenção do lar — e a queda repentina na renda familiar. Atualmente, mais de 70 milhões de brasileiros estão com o nome negativado. Em estados como Goiás, a situação também é crítica, com uma parcela significativa da população enfrentando dificuldades para fechar as contas do mês.
Segundo Emilia, é possível quebrar o ciclo da dívida, mas o primeiro passo é ter clareza sobre a real dimensão do problema. “É essencial fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, incluindo taxas e juros. A partir disso, criar um plano de pagamento realista, sem comprometer itens essenciais como alimentação ou moradia. Do contrário, o risco de não conseguir cumprir o acordo é grande, e a situação pode piorar.”
Após a quitação das dívidas, especialistas recomendam um período de reorganização financeira. Isso inclui cortar gastos supérfluos, montar uma reserva de emergência e adotar novos hábitos de consumo. A disciplina e o planejamento são apontados como os principais aliados para fugir da inadimplência e conquistar estabilidade financeira.
“O problema não é só dever, é dever de novo. É a repetição que preocupa”, conclui a economista.




