Mesmo proibidos no Brasil, dispositivos atraem jovens e acendem alerta sobre vício, riscos à saúde e falhas na fiscalização

Goianésia - Apesar da proibição da venda, importação e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil, o uso desses dispositivos entre adolescentes tem crescido de forma preocupante. Mais de 10% dos jovens entre 13 e 17 anos já experimentaram o cigarro eletrônico, segundo dados recentes, acendendo um alerta sobre os riscos à saúde e a fragilidade na fiscalização.

A cardiologista Angela Carla avalia os números como alarmantes e destaca que os cigarros eletrônicos oferecem uma falsa sensação de segurança aos jovens. “Antes, o cigarro convencional era associado ao grupo, à socialização. Agora, os dispositivos eletrônicos vieram com cheiros e sabores atrativos, passando a impressão de que não fazem mal, o que não é verdade”, alertou.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esses dispositivos contêm nicotina, metais pesados e solventes tóxicos, substâncias que podem causar dependência química e danos ao sistema respiratório. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também chama a atenção para os perigos do uso precoce entre adolescentes, que têm o cérebro ainda em desenvolvimento.

A farmacêutica Dra. Rosa Stelkeberg, presidente do Conselho de Saúde de Goianésia, ressalta que os componentes químicos presentes nos cigarros eletrônicos não são inofensivos. “Cerca de 80 substâncias já são relacionadas à nicotina. Isso causa uma iniciação rápida ao vício e muitos prejuízos. Não é brincadeira, é um risco real à saúde dos jovens”, afirmou.

Mesmo com a aparência tecnológica e a popularização nas redes sociais, o cigarro eletrônico tem consequências antigas: vício, doenças pulmonares e queda na qualidade de vida. Especialistas defendem ações educativas nas escolas, campanhas de conscientização, fiscalização mais efetiva e diálogo aberto com os adolescentes, para evitar que essa tendência se transforme em um problema de saúde pública ainda maior.