Goianésia - A obesidade é hoje um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil: cerca de 24,3% dos adultos estão acima do peso ideal, segundo a PNS/IBGE. Em Goiás, os índices têm subido de forma similar aos do restante do país, carregando implicações para doenças crônicas, qualidade de vida e autoestima.
Para o médico Carlos Bernardi, o ganho de peso em geral não resulta de uma decisão consciente: “não é uma escolha racional; o comportamento alimentar e questões emocionais têm papel central no desenvolvimento da obesidade e, consequentemente, no tipo de tratamento necessário”, afirmou. Dados do Atlas Mundial da Obesidade apontam que 68% dos brasileiros estão com excesso de peso (37% com sobrepeso, 31% obesos), e alertam para graves riscos de saúde, como diabetes tipo 2 e AVC.
Os números revelam que a obesidade atinge mais as mulheres (26,8%) do que os homens (21,8%) no Brasil . Em Goiás, embora os dados específicos sejam menos divulgados, o estado segue a curva nacional de elevação constante, estimulando muitos a considerarem intervenções como a cirurgia bariátrica. Para a advogada Ângela Maria, que passou por esse processo, ainda há um estigma: “obesidade não é fácil, muitas vezes é uma doença, e a bariátrica também é uma etapa difícil”.
Especialistas alertam que a prevenção deve priorizar ações de saúde pública, como incentivo à atividade física regular, alimentação equilibrada desde a infância e campanhas contínuas de conscientização. Segundo análise da FGV, fatores como idade, renda e sedentarismo são determinantes importantes no desenvolvimento da obesidade. Caminhadas diárias e a redução do consumo de açúcar e gorduras saturadas fazem diferença no combate à doença.
Projeções do IBGE sugerem que a obesidade, que dobrou entre 2003 e 2019 (de 12,2% para 26,8%), tende a crescer ainda mais se medidas eficazes não forem adotadas. Essa evolução reforça a urgência de políticas públicas robustas para frear um problema que hoje afeta quatro a cada dez brasileiros e representa um sério risco à saúde coletiva.




