Goianésia- O Brasil ainda enfrenta um grande desafio na área da educação: 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever, conforme dados da PNAD Contínua 2024, divulgados pelo IBGE. Embora a taxa de analfabetismo tenha caído para 5,3%, o índice representa o menor número já registrado no país, ainda está distante da meta de erradicação até 2030.
Para o professor Ivan Gontijo, especialista em educação, a evolução do cenário educacional, apesar do progresso, é lenta. “Em 1970, apenas metade das crianças em idade escolar obrigatória estavam na escola. Com o tempo, as gerações mais velhas, que eram mais afetadas pelo analfabetismo, estão desaparecendo, e a amostra de pessoas mais jovens está crescendo. Isso faz com que, naturalmente, a taxa de analfabetismo continue a cair”, explica.
Apesar do avanço nacional, as desigualdades regionais no Brasil ainda são marcantes. Em Goiás, por exemplo, a taxa de analfabetismo é de 3,6%, o que representa cerca de 213 mil pessoas com 15 anos ou mais sem capacidade de leitura e escrita. Porém, o número aumenta entre os idosos, chegando a 14,2%, o que equivale a aproximadamente 146 mil goianos. Entre os mais jovens, essa taxa é de apenas 4%, evidenciando uma grande disparidade entre as gerações.
A curto prazo, o professor Gontíjo destaca a importância de programas focados na Educação de Jovens e Adultos (EJA), que visa alfabetizar aqueles que não tiveram acesso à educação formal durante a infância. “A EJA é fundamental para resgatar o direito de aprendizagem dessas pessoas. Muitas vezes, o acesso à educação foi negado ou limitado, e é preciso trazê-las de volta ao sistema escolar”, afirma.
Em Goiás, as ações estão focadas principalmente nas zonas rurais e nas periferias urbanas, onde o analfabetismo ainda é uma realidade persistente. Com políticas de alfabetização voltadas para essas áreas, o objetivo é reduzir ainda mais a taxa de analfabetismo no estado e aproximar o Brasil da meta de erradicação até o fim da década.




