Muitos desses foragidos estão em locais que oferecem conforto, com características de resorts, incluindo piscina, sauna e academia

Goianésia- De acordo com um levantamento divulgado nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo, Goiás é o estado com o maior número de mandados de prisão pendentes para traficantes de alto escalão que estão escondidos em favelas no Rio de Janeiro. O total de 53 solicitações de apoio feitas pela polícia de Goiás à Polícia do Rio de Janeiro destaca a magnitude da situação.

No Rio, estão registrados 249 pedidos de auxílio ativos, com Goiás ocupando uma posição de destaque, à frente de outros estados que figuram no topo da lista, como Pará (35), Bahia (33), Amazonas (21) e Mato Grosso do Sul (21). A seguir, aparecem Alagoas (20), Minas Gerais (20), Ceará (15), Espírito Santo (12), Paraíba (11), Rio Grande do Norte (2), São Paulo (2), Sergipe (2), Distrito Federal (1) e Tocantins (1).

Entre os procurados, um nome que se destaca é o de Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como "Cigarreira", apontado como mandante do assassinato de Antônio Vinícius Gritzbach, um delator do PCC que foi morto a tiros no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

As autoridades relatam que muitos desses foragidos estão em locais que oferecem conforto, com características de resorts, incluindo piscina, sauna e academia. Em resposta à situação, o governador Cláudio Castro afirmou que está apresentando propostas ao governo federal para fortalecer a segurança pública. “A atuação das nossas polícias sozinhas não é suficiente. Tenho levado a Brasília sugestões que envolvem desde o endurecimento das leis penais contra o crime organizado até o aumento da autonomia dos estados para legislar sobre segurança, além do reforço no controle das fronteiras e ajustes na Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou Castro.

Uma das iniciativas do governo do Rio é a suspensão da ADPF 635, ação que questiona as operações policiais em comunidades. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento da ação no próximo dia 26, após quase cinco anos de trâmite. Durante a pandemia de 2020, facções criminosas ampliaram seus territórios, especialmente após a decisão do STF de regular as ações policiais nas comunidades, no contexto dessa ação.

Segundo o delegado Carlos Oliveira, subsecretário de planejamento e integração operacional da Polícia Civil do Rio, a migração de criminosos para o Rio de Janeiro foi influenciada pela disputa entre o PCC e o Comando Vermelho (CV), que começou em 2016 com o assassinato do traficante Jorge Rafaat Toumani, um crime arquitetado pelo PCC.