Fatores como dificuldades financeiras podem influenciar o abandono acadêmico

Goianésia- A taxa de desistência nos cursos presenciais de ensino superior em Goiás, tanto em instituições públicas quanto privadas, alcançou 57%. Esse índice é particularmente elevado nas universidades privadas, mas também reflete a realidade nas instituições públicas, onde metade dos alunos abandona seus cursos. Em contrapartida, as taxas de permanência e conclusão permanecem em 18,6% e 24,3%, respectivamente.

Matheus Silva, graduado em sistemas de informação, aponta o descompasso entre o conteúdo do curso e as demandas do mercado de trabalho como a principal razão para sua desistência. “Entrei na faculdade, observei o que estava sendo ensinado e percebi que não correspondia ao que o mercado exigia. Por isso, decidi abandonar o curso”, explicou Matheus.

Em 12 de março, o Instituto Semesp divulgou os dados que compõem o 15º Mapa do Ensino Superior. O estudo, baseado nos Censos da Educação Superior do Inep e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, revela que, embora a participação de pessoas com mais de 25 anos no ensino superior tenha aumentado, as taxas de desistência permanecem elevadas.

O professor Miguel Neto sugere que fatores como dificuldades financeiras podem influenciar o abandono acadêmico. “Muitas pessoas perdem o emprego e enfrentam uma série de obstáculos para arcar com as mensalidades, especialmente com o aumento do desemprego”, observou Miguel.

Em 2023, o Instituto Semesp já havia reportado taxas de desistência e conclusão de 54,4% e 25,9%, respectivamente. No levantamento mais recente, os índices se mantiveram quase inalterados, com uma ligeira redução na taxa de desistência para 54% e um pequeno decréscimo na taxa de conclusão, que ficou em 25,3%.