Goianésia- O número de crianças brasileiras com celular próprio tem experimentado um crescimento notável nos últimos anos. De acordo com dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, a quantidade de crianças de 8 anos com celular e acesso à internet aumentou de forma considerável.
A psicóloga clínica Laís Carvalho aponta que o principal desafio do contato precoce com a tecnologia está relacionado ao tempo excessivo de uso. "A presença digital na infância deixou de ser uma escolha e passou a ser uma realidade. O desafio para pais e responsáveis não é somente limitar o uso de telas, mas gerenciar essa convivência. Embora a internet possa ser uma ferramenta poderosa para o aprendizado e o desenvolvimento, ela também acarreta riscos significativos", explicou Laís.
Desde 2015, o número de crianças de 3 a 5 anos com celular próprio triplicou. Se, naquele ano, 6 a cada 100 crianças dessa faixa etária possuíam um aparelho, atualmente esse percentual saltou para 20%. Entre crianças de 6 a 8 anos, a taxa dobrou, passando de 18% para 36% entre 2015 e 2024.
Laís destaca que é possível equilibrar o uso de telas com outras atividades, garantindo um desenvolvimento saudável. "Até os dois anos, o contato com telas deve ser evitado ou ao menos minimizado ao máximo. Para crianças de 2 a 5 anos, o uso deve ser limitado a uma hora diária, com conteúdo educativo e sempre supervisionado. Já de 6 a 10 anos, o tempo máximo recomendado é de 2 horas por dia, equilibrando com atividades físicas, sociais e cognitivas", orientou a psicóloga.
A pesquisa também revelou que o uso da internet entre as crianças se tornou cada vez mais precoce. Há nove anos, apenas 9% das crianças de 0 a 2 anos, 26% das de 3 a 5 anos e 41% das de 6 a 8 anos acessavam a internet. No ano passado, esses números cresceram para 44%, 71% e 82%, respectivamente.




