Goianésia - Cerca de 68 mil motoristas profissionais em Goiás estão com o exame toxicológico vencido, o que representa quase 40% do total de condutores habilitados nas categorias C, D e E no estado. O exame, obrigatório a cada 2 anos e 6 meses, é um importante mecanismo de segurança nas rodovias, mas os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam um cenário preocupante.
A situação se agrava com o aumento de motoristas flagrados dirigindo sob o efeito de substâncias como ecstasy, cocaína e anfetamina (ribite). O Inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Goiás, Newton Morais, afirmou que muitos motoristas desrespeitam também a lei de descanso, que exige no mínimo 11 horas de pausa por dia. "É comum encontrarmos motoristas em situações irregulares, dirigindo de forma perigosa", destacou.
Em uma operação recente, o Ministério Público Estadual e a PRF desarticularam uma quadrilha suspeita de fabricar e vender anfetamina. Mais de 20 pessoas foram presas e o grupo comercializou mais de 300 mil comprimidos em um ano. O médico psiquiatra Alexandre Peleja alertou sobre os riscos dessas drogas. "Sob efeito dessas substâncias, o motorista não tem condições de dirigir com segurança", explicou.
Além disso, a pressão por prazos de entrega também é um fator que contribui para o não cumprimento das normas de descanso. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Goiás, Vantuir José Rodrigues, sugeriu a revisão da legislação e a ampliação da fiscalização do exame toxicológico. "A realidade dos motoristas autônomos é difícil, e a ampliação da fiscalização pode ajudar a reduzir os números alarmantes", afirmou Rodrigues.
O exame toxicológico deve ser agendado pelo motorista em clínicas ou laboratórios credenciados à Senatran. A falta de realização do exame dentro do prazo pode resultar em penalidades, incluindo a suspensão da habilitação, impactando diretamente a rotina dos profissionais.




