Goianésia - Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveram um estudo inédito que conseguiu reduzir pela metade os casos de câncer de mama em estágio avançado. O projeto, que vem sendo realizado há cerca de três anos no município de Itaberaí, no centro de Goiás, teve resultados expressivos ao investir em ações de baixo custo e rastreamento ativo da doença.
A iniciativa capacita agentes comunitárias de saúde para realizarem exames clínicos de palpação durante visitas domiciliares. Quando há suspeita, como a presença de nódulos, as mulheres são encaminhadas ao hospital local, onde passam por mamografia, ultrassom e, se necessário, biópsia, tudo sem precisar se deslocar até Goiânia.
O mastologista e professor da UFG, Ruffo Freitas Júnior, explica que o acompanhamento é feito de forma contínua, inclusive dentro das unidades de saúde com o apoio de um sistema chamado Rosa Watch, que agiliza o atendimento e o diagnóstico local.
"Esse sistema permite que a mulher seja examinada já no posto. Se houver alguma alteração, ela passa por ultrassom e, sendo confirmado um nódulo, a biópsia já é feita no próprio município. Isso evita a demora e o deslocamento até Goiânia, otimizando o diagnóstico", afirma o professor.
Ao todo, 3.600 mulheres participaram do estudo. Elas foram divididas em dois grupos. O primeiro seguiu as recomendações tradicionais do Ministério da Saúde com mamografias iniciadas aos 50 anos e repetidas a cada dois anos. O segundo grupo, por sua vez, recebeu um acompanhamento mais ativo, com visitas a partir dos 40 anos, incluindo exames clínicos e encaminhamentos sempre que necessário.
Os resultados impressionaram. Entre as mulheres do grupo sem acompanhamento, 60% dos casos foram diagnosticados em estágio avançado. No grupo com visitas das agentes e diagnóstico precoce, o número caiu para 30%.
Os dados foram apresentados no maior congresso de câncer de mama do mundo, nos Estados Unidos, e já estão sendo avaliados como base para políticas públicas de rastreamento mais eficazes no Brasil. A proposta agora é ampliar o alcance do projeto.
"Não usamos nada de alto custo. É uma metodologia simples, acessível, que pode ser replicada por governos locais. Nosso sonho é que o Ministério da Saúde abrace o projeto e leve isso para beneficiar milhões de mulheres brasileiras", destaca Ruffo.
O estudo tem sido visto como uma alternativa viável para regiões com baixa oferta de mamografia, reforçando que, com organização, capacitação e tecnologia acessível, é possível salvar vidas com diagnóstico precoce mesmo fora dos grandes centros urbanos.




